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Golpes com Pix em 2026: como funcionam e como se proteger

O cenário dos golpes com Pix no Brasil

O Pix revolucionou os pagamentos no Brasil desde seu lançamento. Com mais de 150 milhões de usuários, o sistema de transferências instantâneas do Banco Central se tornou o principal meio de movimentação financeira do país. Porém, essa popularidade também atraiu a atenção de criminosos. Segundo levantamento da Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP), o Brasil registrou 28 milhões de fraudes envolvendo o Pix entre janeiro e setembro de 2025. As perdas ultrapassaram R$ 4,9 bilhões.

Em 2026, o cenário se agravou. De acordo com relatório da Kaspersky intitulado “Ciberameaças financeiras em 2025 e perspectivas para 2026”, o Brasil é o terceiro país com maior número de contas bancárias comprometidas no mundo, com 22,7 mil contas atacadas, atrás apenas de Espanha e Índia. Os ataques a celulares registraram alta de 150% no último ano.

Como os golpes com Pix funcionam em 2026

Os criminosos evoluíram suas táticas. O sistema do Pix em si continua seguro. O problema está nas falhas humanas exploradas por engenharia social, técnica que manipula o comportamento das vítimas para obter dados e dinheiro. Em 2026, os golpes mais comuns incluem:

Deepfakes com IA para pedir dinheiro

Criminosos utilizam inteligência artificial para clonar vozes e criar vídeos falsos de familiares e amigos. A vítima recebe uma mensagem de vídeo ou áudio, aparentemente de alguém próximo, pedindo uma transferência urgente via Pix. A qualidade dessas falsificações melhorou a ponto de enganar até usuários experientes.

Trojans bancários brasileiros

Programas maliciosos desenvolvidos no Brasil, como Grandoreiro, Coyote e Maverick, continuam ativos em 2026. Esses malwares são distribuídos por links em aplicativos de mensagens e operam diretamente na memória do celular, sem instalar arquivos visíveis. O trojan GoPix se destaca por mirar especificamente em transações Pix, interceptando dados e redirecionando transferências para contas dos criminosos.

Golpe da falsa taxação do Pix

Mensagens falsas circulam em grupos de WhatsApp alegando que o governo passou a cobrar 27,5% de imposto sobre transferências Pix. Os golpistas direcionam as vítimas para sites falsos que coletam dados bancários. O Banco Central já confirmou repetidas vezes que o Pix é e continuará sendo gratuito para pessoas físicas.

Contas laranjas profissionais

Uma rede organizada de contas bancárias abertas com documentos falsos ou alugadas por terceiros dificulta o rastreamento do dinheiro. O criminoso transfere os valores roubados por diversas contas em sequência, técnica conhecida como smurfing, até que o dinheiro se torne praticamente irrastreável.

O que muda com o MED 2.0

Para combater essa escalada de fraudes, o Banco Central lançou o MED 2.0 (Mecanismo Especial de Devolução), obrigatório desde 2 de fevereiro de 2026. Antes, o bloqueio de valores só funcionava se o dinheiro ainda estivesse na primeira conta do golpista. Com o novo sistema, três mudanças importantes entraram em vigor:

  • Rastreamento em cadeia: o Banco Central pode seguir a trilha do dinheiro mesmo após várias transferências entre contas diferentes.
  • Bloqueio simultâneo: valores podem ser congelados em múltiplas contas usadas no golpe ao mesmo tempo.
  • Prazo estendido: a vítima tem até 80 dias para acionar o MED pelo aplicativo do banco.

Essas medidas tornam o smurfing menos eficaz e aumentam as chances de recuperação dos valores roubados. Ainda assim, a prevenção continua sendo a melhor estratégia.

Como se proteger dos golpes com Pix

O Banco Central e especialistas em segurança digital recomendam uma série de práticas para reduzir o risco de cair em fraudes:

1. Limite para dispositivos novos. Transações em aparelhos não cadastrados são limitadas a R$ 200 por operação e R$ 1.000 por dia. Nunca acesse seu banco em celulares ou computadores de terceiros.

2. Confirme a identidade por outro canal. Recebeu um pedido de transferência por áudio ou vídeo? Ligue diretamente para a pessoa por telefone. Faça perguntas pessoais que um golpista não saberia responder.

3. Ative a autenticação em dois fatores. Use senhas fortes e únicas para cada serviço. Um gerenciador de senhas ajuda a manter tudo organizado sem comprometer a segurança.

4. Não clique em links suspeitos. O Banco Central não envia links por SMS ou WhatsApp. Qualquer mensagem desse tipo, independentemente de quão oficial pareça, é golpe. Acesse sempre os canais oficiais digitando o endereço no navegador.

5. Revise autorizações de Pix Automático. O Pix Automático facilita pagamentos recorrentes, mas pode esconder autorizações indevidas. Verifique periodicamente a lista de débitos autorizados no app do banco.

6. Monitore suas chaves Pix. O BC Protege+, lançado em dezembro de 2025, permite acompanhar e bloquear chaves Pix vinculadas ao seu CPF. Consulte o Registrato do Banco Central regularmente.

O que fazer se cair em um golpe

Se você foi vítima de um golpe com Pix, siga estes passos imediatamente:

  1. Acione o MED pelo aplicativo do seu banco (prazo de até 80 dias).
  2. Registre um boletim de ocorrência na delegacia ou pela internet.
  3. Registre uma reclamação no Banco Central caso o banco não resolva.
  4. Troque todas as senhas de contas bancárias e e-mails.

A importância do app de mensagens na proteção contra golpes

Grande parte dos golpes com Pix começa em aplicativos de mensagens. Links maliciosos, deepfakes e mensagens falsas circulam livremente em plataformas que não priorizam a segurança do usuário brasileiro. Dados da Kaspersky mostram que malwares como Grandoreiro e GoPix usam justamente o WhatsApp como canal de distribuição.

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Perguntas frequentes

O Pix é seguro?

Sim. O sistema do Pix em si é seguro e criptografado. Os golpes exploram falhas humanas por meio de engenharia social, não vulnerabilidades do sistema.

O que é o MED 2.0 do Banco Central?

É o Mecanismo Especial de Devolução atualizado, que permite rastrear e bloquear valores roubados em múltiplas contas, aumentando as chances de recuperação do dinheiro.

Como saber se uma mensagem sobre Pix é golpe?

O Banco Central nunca envia links por SMS ou WhatsApp. Desconfie de mensagens que pedem dados bancários, informam taxação do Pix ou solicitam transferências urgentes.

Um app de mensagens seguro ajuda a evitar golpes com Pix?

Sim. Apps como o PhizChat, com criptografia ponta a ponta e proteção contra links maliciosos, reduzem a exposição a trojans e mensagens fraudulentas que iniciam golpes com Pix.

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